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Colonoscopia? “Que exame ruim”!

O câncer de intestino grosso — também chamado de câncer colorretal, por envolver o cólon e o reto — é o câncer mais comum do trato digestivo e ocupa atualmente a segunda posição em incidência entre homens e mulheres. Infelizmente, cerca de 67% dos casos ainda são diagnosticados em fases avançadas. Aproximadamente metade dos pacientes poderá desenvolver metástases no fígado em algum momento da evolução da doença, e a mortalidade varia entre 30% e 40% dos casos. 

Durante o mês de março, conhecido como Março Azul-Marinho, ocorre a campanha de conscientização e prevenção do câncer colorretal. Os sintomas do câncer de intestino podem variar conforme a localização do tumor, já que o intestino grosso possui cerca de um metro de extensão. Entre os principais sinais de alerta estão: perda de peso não intencional, náuseas persistentes, perda de apetite, cansaço progressivo, anemia com palidez, presença de sangue nas fezes, alteração do hábito intestinal — ora intestino preso, ora diarreia —, fezes mais finas e presença de muco semelhante a catarro. Quando a doença evolui, o tumor pode obstruir o intestino, provocando aumento importante do volume abdominal, distensão, vômitos frequentes, parada da eliminação de gases e ausência de evacuações.

Mas por que conhecer os sintomas é tão importante? Porque reconhecer sinais de alerta permite procurar ajuda médica mais cedo e aumentar as chances de diagnóstico precoce. O câncer colorretal possui tratamento e pode ter altas taxas de cura quando identificado precocemente. Mais importante ainda: é um câncer que pode ser prevenido.  A prevenção está diretamente relacionada ao estilo de vida: alimentação saudável, consumo de frutas e fibras, prática regular de atividade física, controle do peso, evitar o tabagismo e reduzir o consumo de álcool.

O rastreamento geralmente começa aos 45 anos, segundo recomendação do INCA, e é realizado por meio da colonoscopia, exame que costuma ser repetido a cada cinco anos. Em pessoas com histórico familiar de câncer colorretal ou doenças inflamatórias intestinais — como retocolite ulcerativa e doença de Crohn —, o rastreamento deve começar mais cedo. Na maioria das vezes, o câncer surge a partir de um pólipo, uma pequena lesão semelhante a uma verruga que cresce na parede interna do intestino. 

Durante a colonoscopia, esses pólipos podem ser removidos antes de se transformarem em câncer, funcionando como uma verdadeira prevenção da doença. Mas a principal reclamação relacionada ao exame costuma ser o preparo intestinal. O preparo consiste no uso de laxativos potentes para limpar completamente o intestino, permitindo uma visualização adequada durante o exame. 

É justamente nesse momento que surge a resistência de muitas pessoas. Alguns reclamam do desconforto e das inúmeras idas ao banheiro. Outros têm medo do exame em si ou, ainda mais preocupante, medo de descobrir uma doença.

E talvez aqui exista uma grande contradição: muitas pessoas têm medo do câncer, mas deixam que esse medo seja maior do que a coragem necessária para realizar a colonoscopia. Será que algumas horas de desconforto não valem a chance de remover um pólipo antes que ele vire câncer? Será que o preparo intestinal não é um pequeno preço a pagar para evitar cirurgias, quimioterapia ou tratamentos mais agressivos no futuro? 

Prevenir o câncer colorretal está, muitas vezes, ao nosso alcance. Pequenas escolhas diárias — como manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física, evitar o cigarro e moderar o álcool —, associadas à realização dos exames preventivos no momento correto, podem salvar vidas. O diagnóstico precoce transforma histórias, reduz tratamentos agressivos e aumenta significativamente as chances de cura. Informar-se, cuidar do corpo e não adiar a prevenção é um ato de responsabilidade consigo mesmo.

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