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O feminicídio e o câncer ginecológico

A triste morte sem sentido de mulheres ocasionada por desprezo, discriminação de gênero ou violência doméstica/familiar, o feminicídio, aumentou em 300% na última década. No ano de 2024, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, o feminicídio foi responsável pela morte de 1501 mulheres e houve 3495 casos de tentativa desse ato cruel e desmedido. 

O mesmo país que ainda convive com o aumento do feminicídio também enfrenta desafios importantes na prevenção e no diagnóstico dos cânceres ginecológicos. No mês de março, o março-lilás, tem como foco a prevenção do câncer ginecológico, sendo os principais, o câncer de colo de útero (3º em ocorrência nas mulheres), corpo uterino, comumente, o câncer de endométrio (6º em ocorrência) e ovário (8º em ocorrência) segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA, 2026). 

 O câncer de colo de útero, dos cânceres ginecológicos é o mais comum, que tem como sintomas uma secreção persistente, dor pélvica, sangramento anormal dentro e fora do período menstrual, sangramento pós menopausa e pós relação sexual. Ele foi responsável pela morte de 7493 mulheres, no ano de 2024, sendo a principal faixa etária dos 40 aos 49 anos, consoante dados do Sistema de Informação de Mortalidade (SIM|DATATUS).

O câncer de corpo uterino e ovário tiveram em 2024, respectivamente, 2726 (60-89 anos) e 4576 (60-79 anos) mortes. Apesar do 8º em ocorrência o câncer de ovário tem maior letalidade por não ter método de rastreio efetivo e seu diagnóstico frequentemente ocorrer em estágios avançados, pois os sintomas são vagos e habitualmente se manifestam tardiamente. O câncer de endométrio, não obstante, tem maior facilidade diagnóstica, devido aos sintomas precoces como sangramento anormal durante o período menstrual ou sangramento pós menopausa, que motivam a procura por assistência medica rapidamente. 

 Dos três canceres citados, o de colo de útero é o único com método eficaz de rastreio como o conhecido exame Papanicolau, popularmente conhecido com exame preventivo ou citologia e a pesquisa do DNA do HPV (papilomavirus humano) a cada 3 anos que foi aprovada como método de rastreio em 2025 pelo Ministério da saúde. 

Em 2014, foi lançada a vacina contra o HPV com foco de proteger meninos e meninas de 9 a 14 anos. A meta estimada pelo Ministério da Saúde em 2026 é acima de 90% dessas crianças estarem vacinadas até os 14 anos, no entanto, a taxa de vacinação atual consolidada para 2025 é de 70,76% para meninas e 62,83% para meninos. 

Diante desse cenário, torna-se evidente que o cuidado com a vida das mulheres precisa ser visto de forma ampla e urgente. A morte por violência é um tópico importante, mas a morte por câncer é muito mais cruel na população feminina com 15 mil mortes no ano de 2024, que é dez vezes maior que a morte por violência. 

Assim, falar de saúde da mulher significa também falar de proteção, informação, acesso à prevenção e garantia de direitos. Combater o feminicídio e ampliar as estratégias de prevenção e diagnóstico do câncer ginecológico são caminhos diferentes, mas que convergem para um mesmo objetivo: preservar a vida, a dignidade e o bem-estar das mulheres.

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