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“Doutor, eu não quero aquela bolsinha!”

“Doutor, eu não quero aquela bolsinha!” Essa é uma das frases que mais ouvimos quando trabalhamos com cirurgia oncológica abdominal e cirurgia geral de urgência. Mas por que existe a colostomia? E por que ela é tão necessária? Para responder a essas perguntas, precisamos entender que, em algumas situações, o organismo necessita de desvios temporários da rota natural do intestino para permitir a cicatrização adequada de um segmento e possibilitar, posteriormente, a reconstrução do trânsito intestinal. Chamamos de colostomia quando exteriorizamos o intestino grosso (cólon) através da parede abdominal. Quando a exteriorização é feita a partir da porção final do intestino delgado, chamamos de ileostomia. Diante de um quadro de diverticulite, por exemplo, pode ser necessário confeccionar uma colostomia após a remoção da parte inflamada do intestino grosso. Em outras situações, a colostomia pode ser realizada antes da área inflamada, desviando o trânsito intestinal para evitar qu...
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31 de Maio – Dia Mundial Sem Tabaco

O cigarro: uma história antiga que continua causando milhões de mortes No dia 31 de maio é celebrado o Dia Mundial Sem Tabaco. A data foi criada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1987 para chamar a atenção para uma das maiores causas evitáveis de doenças e mortes em todo o planeta: o tabagismo. Apesar de toda a informação disponível atualmente, o cigarro continua sendo responsável por milhões de mortes todos os anos e permanece como um dos principais fatores de risco para diversos tipos de câncer, doenças cardiovasculares e doenças respiratórias. Como surgiu o cigarro? O cigarro tem origem nas civilizações indígenas das Américas, que utilizavam o tabaco há centenas de anos em rituais religiosos, cerimônias e práticas medicinais. Com a chegada dos europeus ao continente americano, o hábito de fumar espalhou-se rapidamente pelo mundo. O formato moderno do cigarro, composto por folhas de tabaco picadas envoltas em papel, surgiu na Espanha durante o século XVI e ganhou enorme popu...

A Saga do Ovário: por que o câncer de ovário ainda desafia médicos e pacientes?

O ovário é um órgão localizado na pelve feminina, intimamente relacionado às trompas uterinas. Sua principal função ocorre durante o período reprodutivo da mulher, desde a menarca (primeira menstruação) até a transição para a menopausa. Além de produzir os óvulos, os ovários são responsáveis pela síntese de hormônios fundamentais para o funcionamento do organismo feminino, como o estrogênio e a progesterona. Ao longo da vida, é relativamente comum o aparecimento de cistos ovarianos. Estima-se que entre 10% e 20% das mulheres desenvolvam algum tipo de cisto ovariano em determinado momento. Após a menopausa, essa incidência diminui significativamente. Entretanto, o surgimento de uma lesão ovariana nessa fase da vida merece atenção especial e investigação criteriosa, uma vez que o risco de malignidade torna-se proporcionalmente maior. Atualmente, dispomos de métodos cada vez mais sofisticados para avaliar massas ovarianas. Exames de imagem, especialmente a ultrassonografia tra...

Prevenção e Rastreio

Atualmente, são conhecidos mais de 200 tipos de câncer. Destes, cerca de 90% têm origem epitelial. O epitélio é o tecido formado pelas células que revestem todas as superfícies do corpo, tanto externas quanto internas. Literalmente, é a estrutura que entra em contato diariamente com diversos agentes agressores. Por isso, sofre mais danos ao longo da vida e apresenta maior chance de desenvolver câncer. A cada dia aumentam os conhecimentos sobre o câncer e sobre os fatores que contribuem para o seu surgimento. Um dos principais fatores é o ambiente em que vivemos, incluindo nossos hábitos, alimentação e estilo de vida. O cigarro e o álcool, por exemplo, são importantes fatores associados ao desenvolvimento de diversos tipos de câncer, como os de pulmão, intestino, bexiga, boca e esôfago. Existem também fatores ocupacionais. Pessoas que trabalham em contato frequente com derivados do petróleo, fumaça, carvão mineral ou outras substâncias químicas podem apresentar maior risco...

Colonoscopia? “Que exame ruim”!

O câncer de intestino grosso — também chamado de câncer colorretal, por envolver o cólon e o reto — é o câncer mais comum do trato digestivo e ocupa atualmente a segunda posição em incidência entre homens e mulheres. Infelizmente, cerca de 67% dos casos ainda são diagnosticados em fases avançadas. Aproximadamente metade dos pacientes poderá desenvolver metástases no fígado em algum momento da evolução da doença, e a mortalidade varia entre 30% e 40% dos casos.  Durante o mês de março, conhecido como Março Azul-Marinho, ocorre a campanha de conscientização e prevenção do câncer colorretal. Os sintomas do câncer de intestino podem variar conforme a localização do tumor, já que o intestino grosso possui cerca de um metro de extensão. Entre os principais sinais de alerta estão: perda de peso não intencional, náuseas persistentes, perda de apetite, cansaço progressivo, anemia com palidez, presença de sangue nas fezes, alteração do hábito intestinal — ora intestino preso, ora diarreia ...

Feridas que não cicatrizam!

O câncer de pele é o câncer mais comum no mundo, principalmente os chamados Carcinoma Basocelular (CBC) e Carcinoma Espinocelular (CEC). Eles têm ocorrência disparadamente superior à dos outros tipos de câncer. O melanoma, que surge das células responsáveis pela produção de melanina – produto que dá cor da pele –, é outro tipo de câncer de pele que possui comportamento muito agressivo, mas, felizmente, é bem menos frequente. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de pele sozinho será responsável por cerca de 263 mil novos casos por ano no triênio 2026-2028, número superior à soma dos três principais cânceres mais incidentes — mama, próstata e colorretal — que juntos totalizam aproximadamente 210 mil novos casos.  Mas o que o câncer de pele mais comum — CBC e CEC — possui que facilita muito a vida do paciente e do profissional de saúde? A facilidade de visualizar, reconhecer, diagnosticar e encaminhar para tratamento. Não é necessário exame complexo, hemogram...

O feminicídio e o câncer ginecológico

A triste morte sem sentido de mulheres ocasionada por desprezo, discriminação de gênero ou violência doméstica/familiar, o feminicídio, aumentou em 300% na última década. No ano de 2024, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, o feminicídio foi responsável pela morte de 1501 mulheres e houve 3495 casos de tentativa desse ato cruel e desmedido.  O mesmo país que ainda convive com o aumento do feminicídio também enfrenta desafios importantes na prevenção e no diagnóstico dos cânceres ginecológicos. No mês de março, o março-lilás, tem como foco a prevenção do câncer ginecológico, sendo os principais, o câncer de colo de útero (3º em ocorrência nas mulheres), corpo uterino, comumente, o câncer de endométrio (6º em ocorrência) e ovário (8º em ocorrência) segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA, 2026).   O câncer de colo de útero, dos cânceres ginecológicos é o mais comum, que tem como sintomas uma secreção persistente, dor pélvica, sangramento ...