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A jornada do paciente oncológico: muito além do diagnóstico

O atendimento médico começa muito antes da definição de um diagnóstico. Ele começa pela história de cada paciente. Cada pessoa que chega ao consultório traz consigo uma história única. Uma história de vida. Carrega sua bagagem pessoal, seus valores, suas crenças, sua família, seus medos, suas expectativas e seus sonhos. E, como toda história, existe um começo, um meio e um fim. Como médicos, buscamos sempre escrever, junto com o paciente, o melhor desfecho possível e, sempre que a medicina permitir, um final feliz. A jornada do paciente oncológico começa pela identificação da pessoa, e não apenas da doença. É essencial compreender quem está diante de nós. Conhecer sua idade, profissão, onde viveu, seus hábitos, aspectos religiosos, histórico familiar e a existência de doenças oncológicas na família. A consulta é um momento de escuta, acolhimento e construção de confiança. Também é o momento de aliviar medos, angústias e incertezas. Antes mesmo de falar sobre tratamentos, é ...
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A Quaresma e a Mosca e uma questão de saúde!

A Quaresma é uma tradição cristã para a Páscoa, celebrado principalmente pela Igreja Católica e por diversas denominações do Protestantismo e do Cristianismo Ortodoxo. Tradicionalmente, compreende os 40 dias entre a Quarta-feira de Cinzas e o Domingo de Páscoa, data em que os cristãos celebram a ressurreição de Jesus Cristo. A data da Páscoa é móvel e segue um critério estabelecido desde a Antiguidade: ela ocorre no primeiro domingo após a primeira lua cheia que sucede o equinócio de março, por volta dos dias 20 ou 21. A partir dessa data determina-se a Quarta-feira de Cinzas, marcando o início da Quaresma. Por esse motivo, tanto a Páscoa quanto a Quaresma variam de um ano para outro, acompanhando o ciclo lunar. Curiosamente, esse período coincide, no Hemisfério Sul, com a transição do verão para o outono. Trata-se de uma época caracterizada por temperaturas ainda elevadas e maior umidade, condições ideais para a proliferação de diversos insetos, entre eles as moscas. As mo...

“Doutor, eu não quero aquela bolsinha!”

“Doutor, eu não quero aquela bolsinha!” Essa é uma das frases que mais ouvimos quando trabalhamos com cirurgia oncológica abdominal e cirurgia geral de urgência. Mas por que existe a colostomia? E por que ela é tão necessária? Para responder a essas perguntas, precisamos entender que, em algumas situações, o organismo necessita de desvios temporários da rota natural do intestino para permitir a cicatrização adequada de um segmento e possibilitar, posteriormente, a reconstrução do trânsito intestinal. Chamamos de colostomia quando exteriorizamos o intestino grosso (cólon) através da parede abdominal. Quando a exteriorização é feita a partir da porção final do intestino delgado, chamamos de ileostomia. Diante de um quadro de diverticulite, por exemplo, pode ser necessário confeccionar uma colostomia após a remoção da parte inflamada do intestino grosso. Em outras situações, a colostomia pode ser realizada antes da área inflamada, desviando o trânsito intestinal para evitar qu...

31 de Maio – Dia Mundial Sem Tabaco

O cigarro: uma história antiga que continua causando milhões de mortes No dia 31 de maio é celebrado o Dia Mundial Sem Tabaco. A data foi criada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1987 para chamar a atenção para uma das maiores causas evitáveis de doenças e mortes em todo o planeta: o tabagismo. Apesar de toda a informação disponível atualmente, o cigarro continua sendo responsável por milhões de mortes todos os anos e permanece como um dos principais fatores de risco para diversos tipos de câncer, doenças cardiovasculares e doenças respiratórias. Como surgiu o cigarro? O cigarro tem origem nas civilizações indígenas das Américas, que utilizavam o tabaco há centenas de anos em rituais religiosos, cerimônias e práticas medicinais. Com a chegada dos europeus ao continente americano, o hábito de fumar espalhou-se rapidamente pelo mundo. O formato moderno do cigarro, composto por folhas de tabaco picadas envoltas em papel, surgiu na Espanha durante o século XVI e ganhou enorme popu...

A Saga do Ovário: por que o câncer de ovário ainda desafia médicos e pacientes?

O ovário é um órgão localizado na pelve feminina, intimamente relacionado às trompas uterinas. Sua principal função ocorre durante o período reprodutivo da mulher, desde a menarca (primeira menstruação) até a transição para a menopausa. Além de produzir os óvulos, os ovários são responsáveis pela síntese de hormônios fundamentais para o funcionamento do organismo feminino, como o estrogênio e a progesterona. Ao longo da vida, é relativamente comum o aparecimento de cistos ovarianos. Estima-se que entre 10% e 20% das mulheres desenvolvam algum tipo de cisto ovariano em determinado momento. Após a menopausa, essa incidência diminui significativamente. Entretanto, o surgimento de uma lesão ovariana nessa fase da vida merece atenção especial e investigação criteriosa, uma vez que o risco de malignidade torna-se proporcionalmente maior. Atualmente, dispomos de métodos cada vez mais sofisticados para avaliar massas ovarianas. Exames de imagem, especialmente a ultrassonografia tra...

Prevenção e Rastreio

Atualmente, são conhecidos mais de 200 tipos de câncer. Destes, cerca de 90% têm origem epitelial. O epitélio é o tecido formado pelas células que revestem todas as superfícies do corpo, tanto externas quanto internas. Literalmente, é a estrutura que entra em contato diariamente com diversos agentes agressores. Por isso, sofre mais danos ao longo da vida e apresenta maior chance de desenvolver câncer. A cada dia aumentam os conhecimentos sobre o câncer e sobre os fatores que contribuem para o seu surgimento. Um dos principais fatores é o ambiente em que vivemos, incluindo nossos hábitos, alimentação e estilo de vida. O cigarro e o álcool, por exemplo, são importantes fatores associados ao desenvolvimento de diversos tipos de câncer, como os de pulmão, intestino, bexiga, boca e esôfago. Existem também fatores ocupacionais. Pessoas que trabalham em contato frequente com derivados do petróleo, fumaça, carvão mineral ou outras substâncias químicas podem apresentar maior risco...

Colonoscopia? “Que exame ruim”!

O câncer de intestino grosso — também chamado de câncer colorretal, por envolver o cólon e o reto — é o câncer mais comum do trato digestivo e ocupa atualmente a segunda posição em incidência entre homens e mulheres. Infelizmente, cerca de 67% dos casos ainda são diagnosticados em fases avançadas. Aproximadamente metade dos pacientes poderá desenvolver metástases no fígado em algum momento da evolução da doença, e a mortalidade varia entre 30% e 40% dos casos.  Durante o mês de março, conhecido como Março Azul-Marinho, ocorre a campanha de conscientização e prevenção do câncer colorretal. Os sintomas do câncer de intestino podem variar conforme a localização do tumor, já que o intestino grosso possui cerca de um metro de extensão. Entre os principais sinais de alerta estão: perda de peso não intencional, náuseas persistentes, perda de apetite, cansaço progressivo, anemia com palidez, presença de sangue nas fezes, alteração do hábito intestinal — ora intestino preso, ora diarreia ...

Feridas que não cicatrizam!

O câncer de pele é o câncer mais comum no mundo, principalmente os chamados Carcinoma Basocelular (CBC) e Carcinoma Espinocelular (CEC). Eles têm ocorrência disparadamente superior à dos outros tipos de câncer. O melanoma, que surge das células responsáveis pela produção de melanina – produto que dá cor da pele –, é outro tipo de câncer de pele que possui comportamento muito agressivo, mas, felizmente, é bem menos frequente. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de pele sozinho será responsável por cerca de 263 mil novos casos por ano no triênio 2026-2028, número superior à soma dos três principais cânceres mais incidentes — mama, próstata e colorretal — que juntos totalizam aproximadamente 210 mil novos casos.  Mas o que o câncer de pele mais comum — CBC e CEC — possui que facilita muito a vida do paciente e do profissional de saúde? A facilidade de visualizar, reconhecer, diagnosticar e encaminhar para tratamento. Não é necessário exame complexo, hemogram...

O feminicídio e o câncer ginecológico

A triste morte sem sentido de mulheres ocasionada por desprezo, discriminação de gênero ou violência doméstica/familiar, o feminicídio, aumentou em 300% na última década. No ano de 2024, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, o feminicídio foi responsável pela morte de 1501 mulheres e houve 3495 casos de tentativa desse ato cruel e desmedido.  O mesmo país que ainda convive com o aumento do feminicídio também enfrenta desafios importantes na prevenção e no diagnóstico dos cânceres ginecológicos. No mês de março, o março-lilás, tem como foco a prevenção do câncer ginecológico, sendo os principais, o câncer de colo de útero (3º em ocorrência nas mulheres), corpo uterino, comumente, o câncer de endométrio (6º em ocorrência) e ovário (8º em ocorrência) segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA, 2026).   O câncer de colo de útero, dos cânceres ginecológicos é o mais comum, que tem como sintomas uma secreção persistente, dor pélvica, sangramento ...