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“Doutor, eu não quero aquela bolsinha!”


“Doutor, eu não quero aquela bolsinha!”

Essa é uma das frases que mais ouvimos quando trabalhamos com cirurgia oncológica abdominal e cirurgia geral de urgência.

Mas por que existe a colostomia? E por que ela é tão necessária?

Para responder a essas perguntas, precisamos entender que, em algumas situações, o organismo necessita de desvios temporários da rota natural do intestino para permitir a cicatrização adequada de um segmento e possibilitar, posteriormente, a reconstrução do trânsito intestinal.

Chamamos de colostomia quando exteriorizamos o intestino grosso (cólon) através da parede abdominal. Quando a exteriorização é feita a partir da porção final do intestino delgado, chamamos de ileostomia.

Diante de um quadro de diverticulite, por exemplo, pode ser necessário confeccionar uma colostomia após a remoção da parte inflamada do intestino grosso. Em outras situações, a colostomia pode ser realizada antes da área inflamada, desviando o trânsito intestinal para evitar que o conteúdo fecal passe pela região acometida. Após a resolução do processo inflamatório e a completa cicatrização, é possível realizar a reconstrução do trajeto intestinal natural.

Nos casos de câncer, a colostomia pode ser temporária ou definitiva, dependendo da localização e do estágio do tumor, bem como das condições clínicas e nutricionais do paciente. Em alguns tumores do reto, especialmente após a realização de radioterapia, pode ser necessário confeccionar uma colostomia temporária para proteger e permitir a adequada cicatrização da área operada.

Entretanto, quando o tumor invade o esfíncter anal — o músculo responsável pelo controle da evacuação — e sua remoção é necessária para garantir a cura da doença, a colostomia passa a ser definitiva.

Mas por quê?

Porque, diante da impossibilidade de reconstruir adequadamente esse mecanismo de continência, o paciente perde a capacidade de controlar a saída das fezes. Tudo o que chegasse ao final do intestino seria eliminado de forma involuntária, comprometendo significativamente a qualidade de vida, já que as evacuações ocorreriam sem aviso prévio e sem controle.

Sempre que uma colostomia ou ileostomia é criada com intenção temporária, a equipe cirúrgica avaliará a possibilidade de reconstrução do trânsito intestinal no momento oportuno. No entanto, em algumas situações, isso pode ser muito difícil ou até impossível, dependendo das condições do abdome, do intestino e do estado clínico do paciente.

A colostomia ou a ileostomia não representam uma penitência nem um atestado de falta de saúde. São recursos terapêuticos fundamentais, que muitas vezes permitem a recuperação, a cicatrização adequada e até mesmo a cura.

Devem ser encaradas sem preconceitos e com a compreensão de que, em muitos casos, são apenas uma etapa temporária do tratamento. Na jornada contra o câncer, podem representar um importante passo em direção à recuperação completa.

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