O câncer de pele é o câncer mais comum no mundo, principalmente os chamados Carcinoma Basocelular (CBC) e Carcinoma Espinocelular (CEC). Eles têm ocorrência disparadamente superior à dos outros tipos de câncer. O melanoma, que surge das células responsáveis pela produção de melanina – produto que dá cor da pele –, é outro tipo de câncer de pele que possui comportamento muito agressivo, mas, felizmente, é bem menos frequente.
Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de pele sozinho será responsável por cerca de 263 mil novos casos por ano no triênio 2026-2028, número superior à soma dos três principais cânceres mais incidentes — mama, próstata e colorretal — que juntos totalizam aproximadamente 210 mil novos casos.
Mas o que o câncer de pele mais comum — CBC e CEC — possui que facilita muito a vida do paciente e do profissional de saúde? A facilidade de visualizar, reconhecer, diagnosticar e encaminhar para tratamento. Não é necessário exame complexo, hemograma, tomografia ou outro método de alto custo. Muitas vezes, basta olhar, reconhecer e tratar.
Trabalhando dentro do Sistema Único de Saúde (SUS) vemos literalmente situações incompreensíveis. Casos difíceis de imaginar! Como aquele câncer conseguiu crescer e chegar naquele tamanho? Existem vários aspecto para analisar sobre esse problema.
Uma delas é a ingenuidade e inocência de pessoas que acreditam que a lesão “vai secar” ou que passar pó de café, cúrcuma ou outras substâncias fará melhorar uma ferida que continua evoluindo, crescendo, sangrando, incomodando ou causando dor.
A situação mais preocupante é a de profissionais de saúde que literalmente “cevam” a lesão cancerosa, acreditando tratar-se apenas de uma ferida de difícil cicatrização. Não reconhecem o câncer e retardam o diagnóstico de uma lesão que sai de 0,5 centímetro para 15 centímetros, que antes era do tamanho do caroço de arroz e aumento para largura de uma fatia de manga. Uma ferida trinta vezes maior do que aquela pequena lesão inicial, discreta, que, sob um olhar atento, poderia ter sido identificada e tratada precocemente.
Feridas que não cicatrizam em até 30 dias precisam de um olhar diferenciado e suspeitar se é cancer ou não. As áreas de maior exposição solar são as mais afetadas, como face, orelhas, tronco, colo, braços, entre outras.
Antigamente, havia pouco conhecimento sobre a proteção solar, tanto com o uso de vestimentas apropriadas capazes de amenizar os malefícios da radiação ultravioleta – os raios que causam as queimaduras do sol – quanto com o uso de protetor solar, que deve ser encarado como equipamento de proteção individual (EPI) para pessoas que trabalham expostas ao sol.
Os conselhos de regulamentação profissional precisam, urgentemente, reforçar programas de educação continuada com foco nesse tema, permitindo maior reconhecimento diagnóstico e encaminhamento precoce ao profissional responsável pelo tratamento. Além disso, ocorrer a intensificação da orientações para trabalhadores rurais, ribeirinhos, pescadores, pessoas com trabalho com maior índice de exposição ao sol.
Diante de tudo isso, fica claro que o câncer de pele é um problema frequente, visível e, na maioria das vezes, passível de tratamento simples quando diagnosticado precocemente. Observar a própria pele, desconfiar de feridas que não cicatrizam e procurar atendimento médico sem atrasos podem evitar tratamentos mais complexos e sofrimento desnecessário.
Informação, atenção e prevenção — especialmente a proteção solar — são atitudes simples que preservam a saúde e qualidade de vida. Cuidar da pele é cuidar da saúde como um todo.

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