Atualmente, são conhecidos mais de 200 tipos de câncer. Destes, cerca de 90% têm origem epitelial. O epitélio é o tecido formado pelas células que revestem todas as superfícies do corpo, tanto externas quanto internas. Literalmente, é a estrutura que entra em contato diariamente com diversos agentes agressores. Por isso, sofre mais danos ao longo da vida e apresenta maior chance de desenvolver câncer.
A cada dia aumentam os conhecimentos sobre o câncer e sobre os fatores que contribuem para o seu surgimento. Um dos principais fatores é o ambiente em que vivemos, incluindo nossos hábitos, alimentação e estilo de vida. O cigarro e o álcool, por exemplo, são importantes fatores associados ao desenvolvimento de diversos tipos de câncer, como os de pulmão, intestino, bexiga, boca e esôfago.
Existem também fatores ocupacionais. Pessoas que trabalham em contato frequente com derivados do petróleo, fumaça, carvão mineral ou outras substâncias químicas podem apresentar maior risco de desenvolver alguns tipos de câncer devido à exposição contínua a esses agentes.
Outro fator curioso, relacionado à cultura e ao comportamento, é o consumo frequente de alimentos e bebidas em temperaturas muito elevadas. O calor excessivo pode provocar lesões repetidas na boca e no esôfago, favorecendo alterações celulares ao longo do tempo. São inúmeros os fatores ambientais que podem acelerar o processo de surgimento do câncer.
Além disso, algumas pessoas possuem uma predisposição genética que facilita o desenvolvimento da doença. Podemos citar, por exemplo, a síndrome de Lynch, associada a alterações em genes responsáveis pelo reparo do DNA, e as mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, relacionadas principalmente aos cânceres de mama e ovário. Nesse cenário, observamos a interação entre fatores genéticos e ambientais, tornando o organismo mais favorável ao aparecimento do câncer.
Portanto, a prevenção consiste em reduzir a exposição a esses fatores sempre que possível, diminuindo as chances de a doença surgir e se desenvolver. Entre as principais medidas preventivas estão não fumar, evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, praticar atividade física regularmente, manter uma alimentação saudável rica em frutas, verduras e legumes, além de utilizar equipamentos de proteção adequados em situações de exposição ocupacional.
Mas você sabia que, entre os mais de 200 tipos de câncer conhecidos, apenas alguns possuem exames de rastreamento com benefício comprovado para a população?
Entre os cânceres que possuem estratégias de rastreamento com benefício comprovado, destacam-se:
- O câncer de pulmão, em pessoas consideradas de alto risco, especialmente tabagistas ou ex-tabagistas com histórico importante de consumo de cigarros. O rastreamento é realizado com tomografia computadorizada de baixa dose do tórax, geralmente entre 50 e 80 anos de idade.
- O câncer do colo do útero, rastreado por meio do exame citopatológico (Papanicolau) e, em algumas situações, pela pesquisa do DNA do papilomavírus humano (HPV). O rastreamento é recomendado para mulheres entre 25 e 64 anos de idade.
- O câncer colorretal (cólon e reto), cujo rastreamento pode ser realizado por meio da colonoscopia e de outros testes específicos. Em indivíduos de risco habitual, recomenda-se iniciar o rastreamento aos 45 anos, mantendo-o até aproximadamente os 75 anos.
- O câncer de mama, rastreado principalmente através da mamografia. Embora existam pequenas diferenças entre as diretrizes, de forma geral recomenda-se a realização periódica do exame entre os 50 e 69 anos de idade, podendo ser iniciado aos 40 anos em algumas situações e conforme avaliação médica individualizada.
- O câncer de próstata, cujo rastreamento permanece tema de debate científico. Quando realizado, geralmente é baseado na dosagem do PSA e no toque retal. A avaliação costuma ser iniciada aos 50 anos para homens de risco habitual e aos 45 anos para aqueles com maior risco, como homens negros e indivíduos com histórico familiar da doença.
Por que tão poucos cânceres podem ser rastreados?
Porque o rastreamento só é recomendado quando existe evidência científica de que ele traz mais benefícios do que riscos. Os cânceres atualmente rastreados apresentam características que favorecem a detecção precoce, possuem lesões precursoras que podem ser identificadas e tratadas antes de se transformarem em câncer, são relativamente frequentes na população e dispõem de exames capazes de identificar a doença em fases iniciais.
O ato de prevenir, cuidar da saúde e manter hábitos saudáveis contribui significativamente para reduzir o risco de desenvolvimento do câncer. Além disso, quando a doença é diagnosticada precocemente, as chances de tratamento eficaz são maiores e toda a jornada oncológica tende a ser menos complexa.
Devemos cuidar de nós mesmos e também orientar amigos e familiares sobre a importância da prevenção e dos exames de rastreamento recomendados. Muitas vezes, prevenir significa evitar que o câncer apareça. Em outras situações, significa identificar lesões pré-cancerosas ou diagnosticar a doença em sua fase inicial, quando as possibilidades de cura são maiores.
Fonte:
Instituto Nacional de Câncer - INCa
Organização Mundial da Saúde - OMS
Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica - SBCO
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